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Sobre as Manifestações

manifestação 1Há muito sendo dito a respeito das manifestações que estão ocorrendo pelo Brasil. De um lado, pessoas comemorando porque o “povo” parece finalmente acordar, saindo de uma apatia que durava décadas. Por outro lado, há quem diga que há um pequeno grupo manipulando a massa com fins políticos. Ao meu ver, creio que há o exagero na violência, embora, eu seja obrigado a confessar que gostei de ver o antro de porcos chamado ALERJ sendo invadido, bem como a tentativa de invasão do celeiro de ladrões e covardes chamado Congresso Nacional. Entendem a dualidade? Eu gostei de ver, mesmo sendo contra a violência. Talvez porque essa raça de políticos atuais, salvo uma meia dúzia, talvez menos, não desça mais em minha garganta.

Sobre a manipulação, o povo como um todo foi manipulado por praticamente 12 anos seguidos durante os governos Lula e Dilma. Na verdade, a classe média foi a maior manipulada. A razão é simples: os ricos ficaram mais ricos, por exemplo, os bancos privados nunca lucraram tanto durante os dozes anos supostamente governados por um governo de esquerda. Os ricos só ganharam e, quando pagam impostos, pagam como a classe média. Na outra ponta temos os mais pobres. Uma gente que nunca teve nada, nem mesmo o que comer. Para eles o governo deu o bolsa família, garantido eterna fidelidade eleitoral. Mas, em tese, eles continuam como estão, pois os políticos os querem assim. Não houve um programa que os ensinasse a pescar. O governo os manteve cativos. Tanto os mais ricos como os mais pobres só ganharam. Na verdade só os ricos ganharam, os pobres pensam que ganharam, pois, como não receberam a educação que lhes é garantida pela constituição, não sabem a diferença entre ganhar e perder.

manifestaçãoMas, a classe média é que foi realmente manipulada. Aos ricos, mais dinheiro e menos impostos. Aos pobres, esmola. À classe média o governo deu uma única coisa: CRÉDITO. Com ele essa classe pensou que estava realizando o “sonho americano”. Comprou carro em 60 vezes, apartamento em 360 vezes, fazendo a especulação imobiliária chegar aos limites do inimaginável, pois uma apartamento de 60 m2 no Rio de Janeiro é mais caro que uma casa em Miami. Com os cartões de crédito a classe média passava os finais de semana no shopping e comprava passagens de avião em 10 vezes para visitar Miami, trazendo camisas da Holister para provar que esteve na terra do Tio Sam. Mas o crédito é uma falsa ilusão de riqueza. No fim, os bancos estão ganhando com os juros, pois não existe essa história de 12 vezes sem juros. O governo leva o imposto decorrente da operação de crédito e ainda o importo sobre cada produto comprado pela classe média. Os banqueiros enriquecem, os cofres do governo enchem e o dinheiro é canalizado para as grandes construtoras e outras empresas lobistas, que devolvem aos políticos em forma de financiamento de eleições. Uma pequena parte vai servir de esmola no Bolsa Família.

manifestação 2E o que a classe média ganhou com tudo isso? Apenas dívida. DÍVIDA! Os dados estão aí para mostrar que a classe média está endividada. Se vendo endividada, percebe que não pode mais consumir como antes e vê que o sonho americano se transformou em pesadelo. O vazio existencial que antes era preenchido nos templos sagrados do capitalismos – os Shoppings, agora parece maior. Essa classe começa a buscar algo para preencher o buraco deixado. Alguém aparece propondo protestos e essa classe se lança nas ruas, deixando escapar toda uma energia concentrada. Ideologia, a classe média quer uma para viver. Não é mais possível viver iludido com o capitalismo de consumo, que enriquece banqueiros e empreiteiros, mas devasta o nosso planeta. O que falta agora é alguém para oferecer um rumo, uma direção, canalizar as forças. Talvez esse seja o começo do fim da era de manipulações que vivemos nos últimos doze anos, na qual os ricos ficaram mais ricos, os pobres foram comprados com comida e a classe média pagou a conta. No fim, os únicos que se deram bem foram os ricos e os políticos. Vamos para as ruas, mas não precisamos de violência. Vamos manter a insatisfação em alta. Vamos provar nas urnas que não estamos felizes com inflação, juros altos, pouco crescimento, serviços públicos de péssima qualidade e caros, falta de hospitais, educação de péssima qualidade etc.

O Deus de um Ateu

Ontem, eu conversava com meu chefe a respeito de algumas mudanças que implementamos esse ano nas rotinas de trabalho que geraram uma otimização nos processos da nossa área. Em um determinado momento, ele simplesmente me disse: “Deus ajuda quem trabalha direito”. Eu ri levemente e ele perguntou: “Você concorda?”. Eu, meio sem graça, não disse que sim nem que não, porque não gosto de relações de causa e consequência. Ele então reafirmou: “Eu acredito que Deus ajuda quem trabalha direito, embora eu seja ateu”. Ele viu minha cara de espanto e falou rindo: “Eu sou ateu, mas acredito que Deus ajuda quem trabalha direito, você não?”. Mais uma vez não respondi nada.
Essa conversa com meu chefe me fez pensar em algumas coisas. O que estava por trás da ideia dele era a crença na retribuição. De alguma maneira ele acredita em causa e consequência. Aqui se faz, aqui se paga. Quem semeia, colhe. E por aí vai.
Uma outra coisa foi o fato de a palavra “Deus” ter sido usada completamente esvaziada de sentido. Ele não cria em Deus, se afirmou ateu, usou a palavra Deus porque, devido à sua descendência italiana católica, ouviu o nome Deus usado em tudo desde garoto. “Graças a Deus”, “Deus me livre”, “Deus nos ajude”, “Ai meu Deus”. A palavra “Deus” é usada com os mais variados sentidos, até mesmo para se praguejar. E por vezes é usada simplesmente para denotar uma espécie de força impessoal que se move entre o destino, o caos e o acaso. Por isso, um ateu diz: “Deus ajuda quem trabalha direito”. De que Deus ele estava falando?
Diante disso, reacenderam algumas questões importantes em mim. Quem semeia realmente colhe? E se houver uma seca? Será que tudo é tão cartesiano assim? Eu não acho que a vida seja feita de leis fechadas, previsíveis. As regras não são tão claras quanto achamos que são. Achamos que quem é bom recebe o bem e quem é mau recebe o mal. Mas então Jesus diz que “o sol brilha sobre os bons e maus e a chuva cai sobre os bons e maus”. O Salmista já questionava: “Por que prosperam os ímpios?”.
Eu concordo em parte com meu chefe, pois Deus ajuda, mas não necessariamente quem faz direito. Para mim, Deus ajuda quem Ele quer e por razões que só a Ele pertencem. Não tenho como trancar Deus em meus conceitos medíocres sobre Ele.
Uma última questão é: “como novamente preencher de sentido a palavra Deus?”. Eu acho que, sem querer, usamos o geral como particular. O nome deus é uma designação genérica para nomear uma determinada classe de seres. Mas, cada um desses seres tem um nome. Como nós, cristãos, cremos que há um só Deus, então usamos o geral como particular, mas não necessariamente todos os usos da palavra “Deus” se referem ao nosso Deus. Neste sentido, tendemos ler a fala do outro com o nosso entendimento. Escutei a palavra Deus na boca de um ateu e achei que era o meu Deus. Não, não era. Era qualquer coisa que ele simplesmente chamou “Deus”.

Como os religiosos contribuem para o mal-estar das cidades

transitoQuem mora e trabalha em uma grande cidade sabe que a vida anda uma loucura. O trânsito tem estado caótico, roubando momentos preciosos da vida, da vivência em família, do lazer, de uma boa leitura e de um bom descanso. Como se não bastasse toda correria da cidade, há alguns grupos religiosos que insistentemente buscam destruir os pequenos momentos de paz e descanso que sobram na tormenta urbana.

Há cinco anos, quando me casei, fui morar em um condomínio, em um apartamento bem pequeno. A grande vantagem era o sossego. Assim que eu entrava em casa era praticamente impossível ser incomodado. Até mesmo as pessoas íntimas precisavam tocar o interfone na entrada, que era monitorada por um sistema interno de TV. Um pouco mais tarde, devido a uma catástrofe da natureza, fui obrigado a mudar, em caráter de urgência, para um casa, em uma rua, fora da pseudo segurança de um condomínio. A vantagem estava no fato de a casa ser maior e não haver mais problemas com vagas de garagem. A desvantagem, no entanto, estava no fato de poder ser incomodado facilmente.

               grupoEu gosto quando parentes e amigos vem me visitar, mesmo sem avisar. Minha casa está sempre aberta para receber as pessoas que amo. Por consciência cristã, não me importo quando aparecem pedintes na minha porta e procuro ajudar sempre que posso. No entanto, perco completamente a paz com os religiosos. Eles parecem não ter escrúpulos e fazem de tudo para vender sua mercadoria religiosa. Vejam os fatos:

ore_baixoEm frente a minha casa havia uma missão de uma igreja que se reunia toda quinta-feira por volta das 20h. Nesta época, eu saía cedo de casa e chegava um pouco antes de começar as atividades da missão. Quando eu tentava descansar, começava o som alto, com uma cantoria desafinada com músicas de radinho gospel, doses de glossolalia e pregações sem sentido. Eu, que sou cristão, ficava transtornado, imaginem um não cristão? Durante um tempo, procurei compreender e relevar, mas fiquei completamente chateado quando descobri que eles faziam questão de virar a caixa de som para rua, colocando no maior volume que podiam. Será que eles acham que estão evangelizando os vizinhos? No meu caso, se eu não fosse cristão, essa seria umas das razões que me fariam não abraçar a fé.

 testemunhasGraças a Deus, a missão fechou. Mas ganhei outro tipo de religioso para me atormentar em meus dias de descanso – as testemunhas de Jeová. Já perdi a conta de quantas vezes elas bateram em minha porta, tentando me converter a uma fé completamente sectária e exclusivista. Em alguns momentos eu estava dormindo e levantei pensando que podia ser uma urgência. Em outros eu estava comendo, lendo e até mesmo vendo TV. Será que essas pessoas não tem noção? Em todas as vezes, eu tive vontade de falar, com o máximo de educação que uma situações dessas pode permitir, que eles são extremamente inconvenientes. Mas resolvi perder um pouco do meu tempo ouvindo quieto. Talvez isso seja amar aos inimigos, pois de alguma forma tenho descoberto que, se tenho algum inimigo, eles são os religiosos.

 Procissão em Caçador SCOntem eu dirigi cerca de 40 km até uma cidade vizinha. Chegando lá, um desânimo tomou conta de mim quando vi um engarrafamento em uma rua pacata que nunca fica engarrafada. Eu pensei: engarrafamento sábado e em cidade pequena, onde isso tudo vai parar? Então, olhei com calma e vi uma procissão. O cortejo religioso havia parado o trânsito de uma cidade pequena, transtornando a vida de muita gente, inclusive a minha. É assim que Deus quer ser conhecido? Com os seus fiéis atormentando a vida de outras pessoas?

                Pensando nessas coisas, confesso que me sinto completamente envergonhado. Refletindo bem, eu já fiz todas essas coisas citadas acima e até piores em nome da religião, pensando que eu estava fazendo um favor a Deus, quando, no máximo, eu estava provocando o ódio e antipatia do povo em relação a minha fé.

               Culto na ruaEu lembro que inúmeras vezes, durante sábados e tardes de domingo, eu saía com grupos de pessoas, batendo de casa em casa para convidar para um culto ou mesmo (des)evangelizar. Lembro com riquezas de detalhes que fazíamos cultos na casa das pessoas e fazíamos questão de colocar a caixa de som virada para rua. Às vezes o lugar era pequeno e nem era preciso microfone ou amplificação, mas ligávamos o som o mais alto que podíamos, pois queríamos que os vizinhos escutassem. Penso que eu devo ter sido muito xingado nesta época e dou toda razão a quem o fez, já que hoje, eu mesmo me xingaria se eu fizesse isso.

              praçaLembro que várias vezes fomos para praças, colocando som e tudo que se tem direito, atrapalhando o lazer das pessoas que lá estavam. Eu mesmo já preguei várias vezes em praças e hoje, por dinheiro nenhum, aceito pregar em um lugar público onde as pessoas que estarão ouvindo não necessariamente desejam aquilo. Fui convidado, há poucos dias, para pregar no calçadão de uma praia em um culto jovem. Durante o convite, ouvi expressamente: “Vamos fazer neste horário porque é a hora que as pessoas vão lanchar e passear no calçadão”. No mesmo momento eu disse que não podia ir. Isso é completamente contra os meus princípios. Fiquei me imaginando de mãos dadas com a minha esposa, no calçadão da praia, comendo pipoca, contemplando o mar, conversando sobre a vida e, de repente, um grupo começa a falar, cantar, gritar, se contorcer e tudo mais. Eu odiaria. Então, não vou fazer aos outros o que não quero que façam comigo.

                Passeata_Carreata-Dia-do-Evangélico-007Eu acho que a pior coisa que fiz foi em um dia da bíblia. Várias igrejas se reuniram para fazer um culto da bíblia em uma praça. Para piorar, todas elas resolveram ir em passeata e carreata, levantando bandeiras da bíblia e cantando hinos. Isso, em plena tarde de domingo. Fechamos várias ruas com a passeata e provavelmente acordamos muito trabalhador cansado de uma semana de trabalho com a cantoria. Fechamos, por um espaço de tempo, uma rodovia estadual com grande fluxo de veículos e a avenida principal de um bairro. Sem contar que, sem pedir licença, tomamos conta da praça, pouco se importando se quem estava lá antes de nós queria ou não ouvir e ver o que estávamos fazendo.

                marchaInfelizmente é triste. Embora eu tenha parado de fazer essas coisas, muitas e muitas pessoas ainda continuam fazendo. Um amigo não cristão do trabalho me contou revoltado a respeito de uma igreja perto da casa dele que ensaia todo sábado de manhã, forçando-o a acordar cedo em seu dia de descanso. Hoje temos louvorzão, marcha pra Jesus e infinitas outras coisas que atrapalham o trânsito, fazem barulho e perturbam a vida das pessoas. Quem faz essas coisas diz que faz para evangelizar. Acreditam que os fins justificam os meios. Passam por cima das pessoas, desrespeitam e tudo o mais para levar uma mensagem de amor. Como uma mensagem de amor pode ser levada sem respeito ao próximo?

prayerfamilyprayingAlguns dizem: mas se as pessoas do mundo fazem, por que nós não podemos fazer? Porque, como Jesus disse, não somos iguais ao mundo, não devemos nos amoldar a ele. Se os funkeiros ligam o som alto nos carros e perturbam os vizinhos e o próximo nas praças, devemos tomar isso como exemplo negativo e não fazer o mesmo. Se alguns grupos fazem passeatas, paradas e perturbam a ordem pública nos deixando presos em engarrafamentos, devemos fazer o máximo possível para contribuir para paz no trânsito. Se as casas de shows, boates e bares fazem barulho até tarde, devemos colocar isolamento acústico em nossos templos, objetivando causar o mínimo de transtorno aos vizinhos. Parece que estamos querendo combater fogo com fogo e estamos contribuindo para um verdadeiro caos nas cidades. Está na hora de dar a outra face. De abaixar o volume. De partir para paz e não para guerra. A igreja precisa ser o exemplo que sinaliza como as cidades podem ser mais humanas, civilizadas e respeitosas. Um bom lugar para pessoas de todas as crenças viverem em paz.

Alienação Escatológica

Não faz muito tempo, uma pessoa me perguntou a respeito do que eu achava da segunda vinda de Jesus.  Se eu achava que primeiro seria o arrebatamento e depois a tribulação ou primeiro seria a tribulação e depois o arrebatamento. Eu fiquei alguns segundos olhando para ela e respondi: sinceramente, não sei.

Ela olhou para mim com cara de assustada e perguntou: “Como assim você não sabe?”. Ela achava que alguém com a minha formação era obrigado a saber. Então eu disse: eu conheço as teorias a respeito do assunto, mas não tenho uma opinião formada sobre isso. E para ser mais sincero ainda, eu confesso que não me preocupo com isso.

Minha resposta, eu confesso, foi um pouco insensível. Ela ficou perturbada e falou em um tom que demonstrava a importância do assunto para ela: “Eu não quero passar pela tribulação. Eu quero ser arrebatada antes. Deus me livre da tribulação”.

Ao ouvir a resposta dela, fiquei assustado.

Primeiramente, porque as pessoas ensinam algumas teorias por aí como se fossem a verdade. A partir disso, pintam quadros vívidos e assustadores para expressar essa tal verdade diante das pessoas. Devem ter pintado um quadro tão ameaçador de um suposto período de tribulação que deixou minha interlocutora completamente assustada. As pessoas falam de teorias com toda certeza e convicção do universo, da mesma maneira que um político faz promessas eleitorais.

Em segundo lugar, usa-se o recurso do causar medo nas pessoas para se oferecer uma saída para o medo. No caso, sempre se vende a resposta para seguinte questão: como ter certeza que serei arrebatado antes da tribulação? A resposta sempre vem com um conjunto de coisas a serem cumpridas. Um rigoroso manual de santidade, que prevê uma dieta a base de livros evangélicos de terceira categoria, músicas de radinho e um isolamento completo no gueto gospel.

Eu confesso que não tenho nenhuma opinião formada sobre escatologia, exceto o fato de ter quase certeza que as teorias comumente apresentadas nos guetos evangélicos não servem para muita coisa e provavelmente devem ser equivocadas. Para piorar, não me coaduno com essas posições porque as acho extremamente alienadoras. Fazem toda a esperança repousar em outro mundo, em outra realidade, impedindo as pessoas de lutarem por um mundo melhor e mais justo aqui.

Em muitos momentos, até os grandes empreendimentos missionários são alavancados por uma esperança pós-mundo e não pela vontade de ver pessoas sendo libertas, abrindo caminho para o Reino de Deus na vida de cada pessoa, e consequentemente, neste mundo. Muitos querem simplesmente anunciar que “só Jesus salva”, porque entendem de maneira radical e literal o que está escrito em Mateus: “ E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações. E então virá o fim”. É um erro terrível ler os textos em sua literalidade e partir direto para aplicação sem passar por um processo sério de interpretação. Neste texto, o problema já começa no fato de Jesus falar que o que será pregado é o Evangelho do Reino. Que evangelho se prega hoje?

Perdemos a coragem de lutar por um mundo melhor, por uma vida melhor, por uma sociedade mais justa. Perdemos o cuidado com o nosso planeta, com a natureza. Os países com tradição cristã foram os que mais poluíram e destruíram o planeta. Talvez por acharem que este lugar não tem valor, já que o verdadeiro lar seria algo surreal em algum lugar fora do espaço-tempo. Não digo que é nem que não é. Mas já que se crê que Deus criou e achou tudo muito bom e colocou o homem para cuidar, por que desprezar esta terra? Por que não cuidar da vida que há nela? Por que não torna-la um lugar melhor e mais harmonioso para os homens e a própria natureza?

A esperança escatológica não deveria ser a esperança em um futuro imaginário e contornado por teorias que se contradizem mutuamente, mas deveria ser a esperança de homem e mulheres que se deixaram tocar pela realidade do Reino de Deus e sinalizam o Reinado de Deus no mundo. Deveria ser a esperança da Igreja, enquanto comunidade de seguidores de Jesus, subvertendo o mundo, sendo sal e luz, mostrando que uma realidade de solidariedade, amor, justiça, paz e alegria é possível, não simplesmente no além, mas aqui e agora. Jesus só vai precisar voltar porque nós, a igreja, não conseguimos ser e fazer o que de fato deveríamos –  ser o Cristo para as pessoas que estão a nossa volta.

Por que o mundo nos odeia?

Por que Davi era um homem segundo o coração de Deus?

Mensagem pregada na Celebração dos 50 anos do meu tio Wagner Brum.

Obrigado por me amar

Hoje, completo 4 anos de casado e pensei em algumas formas de homenagear minha esposa. Eu poderia simplesmente dizer o quanto eu a amo. Poderia oferecer flores. Poderia comprar uma bela joia. Poderia oferecer uma viajem. Poderia oferecer um jantar romântico. Mas, além de tudo isso, eu gostaria de dizer umas poucas palavras, inspiradas em uma linda música romântica: “Obrigado por me amar”.

Acho que essas palavras expressam o que vai dentro de mim, hoje. É um sentimento de profunda gratidão por me sentir profundamente amado por quem eu amo. Por poder compartilhar a vida com uma pessoa realmente extraordinária.

Sim, meu amor, tudo que eu posso dizer hoje se resume nestas palavras: “Obrigado por me amar. Obrigado por ser os meus olhos quando eu não podia ver. Por abrir os meus lábios quando eu não podia respirar. Obrigado por me amar”.

Mais uma vez, meu amor, obrigado por me amar.