Sobre as Ondas

Há algumas coisas estranhas em nossas vidas. Sempre foi complicado para mim entender o sofrimento e aceitar as mazelas desta vida. Confesso que passei muito tempo tentando entender, estudando o assunto, mas continuo completamente sem respostas. Na verdade, acho até que desisti de procurar determinadas respostas, embora um nó sempre permaneça na garganta.

É bem verdade que de tempos em tempos ondas grandes quebram sobre nossas cabeças. Às vezes, nem mesmo nos recuperamos de uma onda e mal colocamos o rosto para fora da água, buscando um pouco de ar e direção, uma outra onda quebra sobre nós, jogando-nos para o fundo, completamente impotentes.

Como a maioria das pessoas, quando os problemas se abatem, procuro alguma forma de abrigo. Nestas horas, confesso, tento voltar mais meus olhos para Deus que, na verdade, sempre foi e sempre será meu único refúgio. Na hora da dor ou mesmo quando um problema maior que nós chega, não resta muita coisa a fazer a não ser simplesmente orar e pedir ajuda ao Senhor. Podemos criticar isso, mas não há jeito. Mesmo que enquanto tudo está bem não estejamos buscando a Deus, na hora do desespero não pensamos duas vezes e nos jogamos nele.

No entanto, mesmo com certa humildade e sentimento de pequenez trazidos pela dor, lá no íntimo, lá no fundo, bem no fundo, eu sempre achei que tinha algum crédito para trocar com Deus. Eu até tentava me livrar destes sentimentos, pois em teoria eu sabia que não fazia sentido. Eu sabia e sei que tudo que vem a mim é pela graça e misericórdia de Deus, mas, mesmo assim, me via minimamente merecedor de algo. Eu talvez achasse que por me dedicar bastante nas tarefas da igreja, Deus me olharia de forma especial. Essas coisas assim. Tenho até vergonha de escrever.

No entanto, após uma crise de estresse no início deste ano, eu diminuí consideravelmente minhas atividades na igreja, talvez por não me achar em condições, já que sempre levei essas tarefas como muita reverência, temendo pela vida das pessoas que estavam diante de mim. Neste exato momento da minha vida, duas grandes ondas quebraram em minha cabeça. Literalmente uma atrás da outra. Fato que me fez perder o sono em uma noite. Foi então que me peguei orando e, para mim surpresa, não havia mais em o sentimento de que eu merecia algo. Eu não me vi com créditos diante de Deus, muito pelo contrário, enxerguei-me completamente devedor, como um pedinte endividado, com as mãos completamente vazias.

Nessa hora, eu percebi que eu só podia contar com a Graça. Eu não tinha nada para oferecer e muito menos promessas vazias para fazer, pois as mesmas eu já havia quebrado várias e várias vezes. Tudo que me restou e me resta é colocar todos os meus problemas e toda a minha dor diante do Pai, confiando exclusivamente nEle.

Não sei quando essas ondas passarão. Confesso que estou me preparando para um longo período de apneia no fundo do oceano, mas se depois dessa eu aprender que não sou nada, não tenho nada e que dependo completamente de Deus, então, que quebrem as ondas.

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Publicado em outubro 30, 2014, em Cotidiano, Espiritualidade. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. Meu querido sobrinho,que tenho profunda admiração e amor. .Estamos juntos .Abraço

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